terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Pato N´água e o Crítico de Tribuna.


O Théo da Cuíca era músico do Jogral, aliás, excelente e eu o reencontro via orkut, depois de mais de 30 anos e tamo marcando para nos falar ao vivo e à cores. O Théo quandso chegava era uma loucura, mexia com o cozinheiro, desarrumava as coisas do Balto, que vivia organizando, zuava o porteiro. Era um inferno. Num dos dias, ele chega todo contente e ele tinha um jeito esparramado de dizer, que o samba dele tava cotado na " Vai Vai " . E cantarolava " Olha o samba, olha o frevo, olha o maracatú, que tomou conta do Brasil de norte a sul " (...) E realmente ganhou. O samba dele, Théo da Cuica, Bulau e Dominguinhos do Estácio foi um sucesso na avenida. E Pato n´água seguia todo orgulhoso, mas cruzou, como jurado com um jornalista do Diário da Noite, que eu nem vou falar, que era o Arley Pereira e parece que ele tinha escrito um texto, que o pato se sentiu ofendido e olhou feio prá ele. Ele lá da tribuna fez um sinal de vou te f..... O Pato não teve dúvidas largou o comando da bateria e pulou da avenida para a tribuna para dar uma porrada no mesmo. E quem segurava o homi? Essa estória entrou para o folclore do carnaval de São Paulo e o Théo que conta por inteiro.Foi um sururú.
Samba Enredo da Vai-Vai 74

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Serginho Maestro e o Stradivarius


Eu me lembro que um dia estavam bebendo, e isso eles quase não faziam, no Jogral, numa verdadeira invasão carioca,os caras do Pasquim, Jaguar, Tarso de Castro,Fausto Wolf Sergio Cabral e companhia. Eles fizeram um monte cartuns no banheiro. Umas das frases era " Assaltado o Banco do Brasil, por ladrões de verdade. Isso em plena ditadura. Era um orgasmo.Mas, alguém, provavelmente um músico escreveu : A mulher do músico é a música. E que relação maluca é essa enfeitiçada de música e músico. Pois é, no dia do " Churrasco com o Seo Paulo Vanzolini ", que pode ser visto num post anterior.(Nossa parece propaganda da Light. " Leio Mão e Faço Amarração ". é macumba ou sado masoquismo?). Eu pude presenciar uma declaração concreta do que é essa doideira.


Estávamos nós, no churrasco, embriagados pelas várias latas de cerveja , alguns metros de cachaça de Minas e o canto maravilhoso de Tião Preto e Ana Bernardo, das canjas do Seo Vanzolini, quando o Serginho Maestro, que despejava milhões de notas de seu violão, foi traído pelo banquinho de plástico e veio ao chão.Desespero geral, pois ele caiu de costas, quase batendo na churrasqueira. Num gesto de autodefesa, ele protegeu o violão, bateu a cabeça. Não houve maiores danos, ainda assim bateu o bojo do violão e tirou um trisco da cabeça. Todo mundo preocupado. Ele se sacode e brada:


- A cabeça que se foda! Queria salvar meu violão.E saiu tocando de novo, como se nada houvesse havido.




Precisa de maior declaração de amor à música?

domingo, 28 de dezembro de 2008

O Vereador da Vila


O Zé Sasso era dono da Vila Yara, quando surgiu o bairro; a família dele era meio latifundiária do lugar, que à época, era dividido em sítios, ele o mais velho dos irmãos, vendia frutas.Nasceu no dia de todos os Santos. Então virou José Santos Sasso. A italianada não discutia com santo, cumpria. O Zé Sasso tinha caminhão, ele e o Bimbo, outro fundador do Corinthinha e eles levavam o time quando tinha que jogar fora. O Zé Sasso sempre ajudou o Corinthinha de coração, e jogava. Era ruim, mas se impunha. Houve uma época, em que era presidente e jogava. Botava a camisa 10 nas costas e ia distribuindo : - pro cê, pra você ... E assim seguia até terminar as camisas...



Isso, quem dizia, era o Barão, goleiro baixinho, mas saltador; seu cunhado e desafeto político, motorista aposentado da Eternit, seis vezes candidato a vereador, bem votado, mas nunca eleito. Comentado à boca pequena, que era um verdadeiro herói de alcova.
Pois bem, não resisto, mesmo o tópico tendo sido aberto para falar do Sasso, vou abrir um parênteses para falar do cunhado, que era uma figura. ( O Gili, esse era o nome do Barão, nos seus 65 anos tinha um vigor físico invejável. Era forte, o veinho! E cheio de manias... Uma delas, só tomava banho frio. O primeiro às seis da manhã, fosse que estação fosse. E pela rotina de seus hábitos, sofreu algumas sacanagens familiares, por um grupo rival, liderado pelo cunhado caçula e composto pelo seu filho, mais velho. Um dia de inverno, os malandros foram até o Ceasa e compraram duas barras de gelo e jogaram dentro da caixa d'água, que tinha sido instalada fora, com um chuveiro especial de praia, para os banhos do Barão. Dia estranho de inverno, seis horas da madruga, lá está o Barão de Calção e havaianas, pronto pro banho. Quando entra, quase morre de susto, a água estava a quase zero grau. Por pouco não cai um iceberg na cabeça do Barão.)


Voltemos ao Zé Sasso, que se meteu na política e em 1966 e se elegeu, vereador. E assim seguiu por mais cinco legislatura. A Vila Yara sempre teve tratamento de rainha.
Sasso chegou à presidência da Câmara, em 1991 e , sempre foi generoso com os funcionários e com os colegas, e sempre foi respeitado, até pela oposição, como um presidente magnânimo. E é também apontado como o " Rei das gafes ". Por exemplo, uma vez numa sessão solene em comemoração aos " 100 Anos da Imigração Japonesa ", recebemos a visita do cônsul japonês em São Paulo. E pelo protocolo, o presidente agradece às autoridades. Ao que o Sasso segue:
- Eu queria agradecer o Cônsul do Japão. ( Um assessor lhe avisa, que o cônsul está acompanhado da esposa e ele retifica):
- Eu queria saudar o cônsul e a consa!

Outra sessão, o plenário pegando fogo, com uma briga entre oposição e situação. E ele tira do colete:
- Eu vou pedir pro plenário, não se manifestar. Se continuar, eu vou mandar evacuar no plenário.

Outra, ele é portador de uma miopia leve, coisa de uns trinta graus. E não usa óculos. Então, nós que o assessorávamos, andávamos ao seu ladso pra soprar os eleitores, por perto. Seu Zé, ali ao lado tá o Carlinhos Tubaina, do Sto Antoninho, que foi seu cabo eleitoral, lá. Na passagem, ele cumprimenta:
- Fala, Guaraná! (rs) E nós, É Tubaina! E ele, é tudo refrigerante!



sábado, 27 de dezembro de 2008

A VILA YARA É MEU GREENWICH VILLAGE.


Assim como Woody Allen tem direito de sacar seus personagens da sua estória e de New York( o certo era noviorque), eu também quero, exigir meus direitos e falar da minha gente. Meus personagens nunca foram à tela, por falta de oportunidade, pois se baixasse um desses caras ricos, que fazem cinema, assunto a gente tinha. E quando se fala em Vila Yara, da minha Vila Yara, salve, salve, tem que falar de humor... Ô Vila prá ter nego gozador. Começa por um cunhado meu, Rená, se fosse bom, não começava com tal sílaba, mas o cara é rápido no gatilho, do nada sai uma piada. Nas rodas onde ele pára não tem tristeza. E não perdoa ninguém, sequer seu melhor amigo. Vítima predileta de suas sacanagens, o Marinho, nascido Mario Marcos, de vez em quando tira uma casca, mas o Rená, supressivo de Reinaldo, não alivia.
O Marinho é de uma família, que teve posses, quando a gente , toda nossa turma, era dura. Eu lembro do pai dele, andando de Galaxy, quando na vila não tinha quase ônibus. E ele sempre metido a galã, participou uma vez do " Boa Noite Cinderela " do Silvio Santos, para ser o príncipe. Uma competição com mais de cem concorrentes, sobraram dois, e o Marinho era um deles, o outro era Alexandre, aquele que ficou famoso, mas , segundo nosso candidato, por um esquema desses de televisão ( Esquema de televisão, prá mim, são aqueles desenhos de onde ficam as válvulas, prá guiar o técnico. Quem usou bombrill na antena, sabe do que falo!).Enfim, o representante da Vila Yara, ficara prá trás. E isso ele contava uns trinta anos depois, numa roda no Campo do Corinthinha, ao que meu cunhado não perdoa e saca:
- Marinho, quer dizer, então que você foi Vice-Príncipe?

.....


Outra figura maravilhosa é o Meningite, oriundo do Sto Antoninho, que é um bairro satélite da Vila Yara, uma espécie de primo pobre nosso. Vixi, a embaixada de lá, vai querer me matar...
Pois bem, avó do meningite era uma benzedeira reconhecida, jogava cartas e via o futuro.
Um dia se juntaram na casa da avó dele, Ito, Zé Galinha, Meningite e Côco e sem ter o que fazer resolveram jogar truco, na falta de um baralho pegaram o baralho benzido. E ficaram até a noite, tomando umas e jogando baralho. Por uma distração Zé Galinha ( ele nega posteriormente)
leva o baralho embora. No outro dia, os clientes da Velha chegando e nada de baralho, foi obrigada prá não perder a clientela, a ler mãos. No outro dia, o meningite puto, só resmungava:
- Isso não é brincadeira, porra, o Zé Galinha roubou o ganha-pão da minha !

....

Chuép, Nelson Pedro Cunha, um dos personagens mais apaixonantes da Vila, dono de todas as estórias. Nos últimos trinta anos de vida, só respirou canabys, morreu como quem vai prá Santos. Faz falta a alegria dele.
Criador de frases, como uma para repor a humildade do time : Puleiro de Pato é no Chão. E o bom é que as frases dele, tinham precisão cirúrgica. Nunca jogou futebol, era muito ruim, mas se um desses olheiros, o visse no aquecimento era capaz dele ir parar no Japão. Mentia, tanto quanto respirava. Com a vantagem de que suas mentiras, eram na verdade devaneios, só diziam respeito a ele. Exceto, a vez que inventou que a mãe tinha morrido, e conseguiu uma comoção inesperada, de um de nós bem sucedido, Ismael José, sovina que só, que chegou até a comprar o caixão. Já que a veterana do Chuép era vizinha de sua mãe, mas o Chuép se enrolou todo e descobriram, que era mentira. Chuép, virtualmente, matara a mãe prá arrumar algum.
...

E a Vila anda... devagar os personagens da Vila irão invadindo o blog, que não faz mais do que a obrigação de mantê-los vivos.

Ps: tem um personagem, que é quase diretor de um grande banco, graças a Deus, pois tinha tudo para ser da pá virada.

Toda eleição a gente se junta perto do Brito, que é a Escola da nossa vida, para ver quem vem votar. E lembra daquelas gostosas da época e vai lembrando e tentando adaptar nossa memória à nova realidade, depois das 17h, quando já estava liberada a bebida , ele chega à conclusão, depois rever tantas amigas do passado :

" O tempo é uma fábrica de monstros ! " ( pano rápido )

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O PANDEIRO DO JOCA


O Joca era um pardo com cara de fome, que trabalhou com a gente na infra estrutura de uma campanha política, era segurança. Parecia com seu terno preto diário, um papa defunto, um agente funerário,mas era muito engraçado. E qualquer festinha ele voava na pista, era um dançarino nato, bastava dar o rítmo, que baixava um Carlinhos de Jesus nele. E o Joca um dia contou uma estória, que quase me mata de tanto rir.

O Joca era louco por festa junina. E certa feita ( eu achei que nunca ia conseguir usar esta expressão!) foi convidado pelo Zeca sanfoneiro de Quitaúna para ir numa festa Junina em Santana de Parnaíba. O Zeca ia tocar lá, levar a a família e gostava de andar com a pick-up cheia, que caso a jabiraca não acendesse, lá ia tranco. E prá isso, quanto mais gente melhor.Chegaram no lugar onde ia acontecer a quermesse e o povo já tava esperando. Meia hora prá descarregar o som e montar, uns aparelhos à válvula, que apitavam prá cacete e davam choque no monte de cabo emendados, com a fita isolante vencida. Entre os convidados do Zeca, estava o Ceará, que gostava de tocar pandeiro,mas não tinha rítmo. E o Zeca ficava sem graça de falar prá ele. Esse Ceará, já enfernizara a cabeça do Joca o caminho inteiro, com aquele barulho. E nas paradas pela estrada dos romeiros, o infeliz fazia solos e solos. O detalhe das paradas é que junto foi o Ciço língua solta, que além da língua tinha a bexiga no mesmo naipe, e vira e mexe batia na cabine para parar. Emêrgência. Pois é, mas tudo pronto, fogueira acesa e começou o " fini nini fini nini" e a Sanfona estrondou espaço afora, sempre acompanhada, melhor dizer ladeada, pelo pandeiro do Ceará. Que mesmo na paradas para descanso continuava na sua busca incessante do som pior.

O Joca estava feliz, pois danou-se a paquerar e tava se sentindo um príncipe. E prá melhorar ganhou dois galetos na barraca de bingo,mas mesmo assediado, resistiu, pois aquele presente já tinha destino: sua mãe, dona Juventina. Ele, que nunca tivera sorte em jogo, ainda só tomava "bica" no amor, parecia estar no seu dia. Ou seria noite? E a festa se alonga, até que do nada, ouve-se o som de dois tiros. O som de tiro é sempre surreal, porque no mundo real, não tem aquele som turbinado de cinema. O que viu em seguida, foi um corre corre e praça vazia, onde não se localizou nem o Padre João, o contratante. De um ponto escuro, o Zeca tratou de começar a recolher as traias e picar a mula; o Joca ficou em cima da caminhonete para ir encaixando as coisas todas. O Ceará jogou o pandeiro pro Joca, prá poder carregar as coisas.Nisso, entra o vizinho, que tinha se incomodado com o adiantado da festa e tratou de abreviá-la. Você aí do pandeiro, desce aqui. ´Lá vem o Joca... Você sabia que eu tava quase enlouquecendo com essa porra desse pandeiro, dá isso aqui prá mim. Ato contínuo deu um tiro no pandeiro. O pobre do Joca sentiu um rítmo diferente nos intestinos. E olha aqui prá você aprender a respeitar o sono dos outros.Tascou-lhe um tapão na orelha. Vocês tem 30 segundos prá sumir daqui. Pergunta, se demorou mais de dez? Até a jabiraca do Zeca quando viu a coisa preta, pegou de primeira. E pernas prá que te quero... mas no meio do caminho havia uma baratinha da polícia ( antigamente era fusca, apelidado de baratinha, seus burros!) E o Joca decidiu exigir seus direitos, afinal fora agredido por um homem armado. E os dois policiais, um deles pouco acima do peso, coisa de umas duas arrobas, pediram para o reclamante acompanhá-los. E seguiram perseguidos pela jabiraca, em comboio. Ao chegar no lugarejo, uns fofoqueiros de plantão ,disseram à boca pequena onde estava o agressor. Quando os policias abordam aquele senhor, pedindo os documentos, ele cheio de autoridade mostrou e já passando uma descompostura no Joca e nos policiais. Era um milico de reserva ,estava de pijama e irado. ( Quem tem mais de 35 anos, sabe o que significa milico de pijama irado). Expulsou a turba toda. Joca que estava até com o seu presente embaixo do braço, prá exigir mais respeito, ficou em maus lençois, pois os policiais ficaram putos , com a ,segundo eles, emboscada armada pelo Joca. E um deles perdendo a paciência, deu logo um outro cascudo no reclamante. E sugeriu que ele sumisse no ar... Na saída, o policial mais gordo, invocou. E esse pacote aí, embaixo do braço? São os galetos, que eu ganhei no bingo, disse Joca. Ixe, até chegar a Osasco tá frio, deixa aí prá nós de lembrança.

domingo, 21 de dezembro de 2008

À Benção Paulo Vanzolini


O Serginho Maestro é amigo do Tião Preto há muito tempo, e fã. Vale dizer, que o Serginho é um violonista de alta qualidade e vive nas rodas, tocando com o Eduardo Gudin. Elton Medeiros, além de um sem número de “ bambas “. Pois é, sabadão burguês, eu pronto prá lavar o carro, depois de um “tour” no supermercado, do nada , aparece o Tião Preto. Querendo saber novidades do site ( E eu confesso, que ele está internético!). Enquanto trocamos figurinhas, liga o Serginho Maestro, dizendo que está rolando um churrasco na Casa do irmão dele, lá na Aclimação. Perto da casa do Seo Paulo Vanzolini e que o seo Paulo, já tinha confirmado que ia. Ato contínuo, me vira o Tião: - , você podia me levar lá!?! Eu, metido a organizador da carreira do bardo, vejo os riscos de um início carreira dele, e os riscos do meu tranqüilo casamento ir pro saco, por conta desses compromissos, dele, Tião Preto.
Porém curioso, em rever o Vanzolini, eu que já o conhecia de “ O Jogral “, onde trabalhei em 1975, fui. Uma rua daquelas de Vila, de cara , fomos apertar a campainha e vimos o cartaz: A campainha não funciona. Apelamos prá velha e boa palma. Ou seja já chegamos na palma da mão, como diriam os pagodeiros. Dentro uma família italiana daquelas com Nona presente e competição de voz: quem falava mais alto. Era uma zuada muito interessante, uma profusão de abraços e tudo preparado esperando Tião Preto , a Cantora Ana Bernardo, que é esposa , e o próprio Paulo Vanzolini. O anfitrião? Não estava, tinha ido fazer uma serenata prá mãe de uma amiga. Nos alojamos e já tinha uma cachaça especial aguardando o Tião. Que não se fez de rogado. E dá-lhe churrasco.Depois de uma hora, chega o Serginho, de terno, acompanhado do Seo Paulo Vanzolini e a esposa Ana Bernardo, aliás uma baita cantora. Na entrada foi aplaudido, já que é amigo da casa e conhece a família. E ato contínuo iniciou-se a roda, com o Serginho de Mestre de Cerimônias, com seu violão infernal. Tião Preto cantou “ Amor de Trapo e Farrapo “ e ouviu um “ muito obrigado “ do Vanzolini, que quase o leva às lágrimas. E contraatacou com “ Praça Clóvis “, em seguida Ana Bernardo, a Sra Vanzolini, mandou uma seleção de Vanzolini, depois ela e Tião Preto se revezaram em muitos Cartolas, Elton Medeiros, Dorival Caimmy e a noite se fez de sons, de muita qualidade. Que luxo! Não bastando; o próprio Vanzolini , arriscou declamar “ Na Batucada da Vida “, como se fosse um causo e depois cantou, sic, no seu modo especial de cantar “ A Capoeira do Arnaldo “. E nós fizemos o refrão, com ele e marcamos na palma da mão... “ Vamos nos embora, He He, vamos nos embora, camará “ à benção Paulo Vanzolini, à benção Ana Bernardo, à benção Serginho Maestro, à benção Tião Preto, que me põe em risco matrimonial, mas me enriquece culturalmente uma enormidade.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Ô COROA BOA (...) PARTE II

Deixa eu fazer justiça... Na verdade o fundador do Jogral, foi o Carlos Paraná, que era um cara da noite, compositor e cheio de amigos músicos. Dentre eles, o mais constante era Adauto Santos, um negro mineiro que cantava demais. Carlos Paraná, foi o compositor de " Maria, Carnaval e Cinzas " que o " Rei " Roberto Carlos defendeu num festival da TV RECORD.

Eu vi performances maravilhosas do Adauto Santos e sua turma, geralmente composta, por ele Adauto, Viola e Violão, não lembro o contrabaixo,mas tinha o Papete ( um maranhense desencanado, que inventou a percussão ), Théo da Cuíca, percussão e Cuíca, nossa ! E faziam um som lindo, lindo! Tinha na casa ainda, Alaíde Costa, acompanhada do Miguel Trio, em que o baterista, Boi, era um barato ! engraçadissímo.Evandro do Bandolim, um alagoano, afilhado de Pixinguinha, que druante o dia trabalhava na Del Vechio da Rua Aurora,96. Seu time era inesquecível: Evandro no bandolin, Benedito Costa,no Cavaco, depois Dom Lúcio França, Pinheiro no 7 Cordas, de início, manézinho da flauta, depois Carlos Poyares, Zequinha do Pandeiro, às vezes um surdo, tocado por Silvio Modesto. Esse grupo abria a casa, depois acompanhavam uma cantora, muito interessante, Ana Maria Brandão. A circulação da casa era gigante, um monte de garçons, entre eles os que eu mais lembro são Expedito, o barman, Jovino, o Mâitre, Jaime, um português, que me dava carona e batemos de carro uma vez de madrugada e quase morremos ambos ( Bati na Trave!) , e Agostinho, um garçon que cantava imitando o Nelson Gonçalves. O sonoplasta era um caso à parte, Chiquinho da Mocidade Alegre, de dia estafeta do Tribunal de Justiça, à noite sonoplasta da Casa, aos fins de semana, diretor de harmonia da Mocidade Alegre.Viajou com Tereza Santos prá Europa. Osvaldinho da Cuíca, o Sargento, que se apresentava com um grupo, e tinha sido eleito Cidadão Samba de São Paulo. Também no cast tinha Bob di Melo, um pernambucano muito bom, mas doido até...
A música se sentia completamente , à vontade naquele espaço. E as visitas? Só gente boa. Uma
vez uma mesa de bacana, deixou uma veuve cliquot, quase cheia e no final os garçons, me chamaram pra experimentar.Ouvia falar tanto, mas confesso, que gosto mais de Cidra Cereser. Coisas de pobre. O tal de caviar também experimentei e não gostei. Não senti sequer o gosto aludido por Vadinho, em Dona Flor e seus dois maridos.Paciência. Em compensação, conheci a chuleta do Bar da Putas, que era nosso vizinho e até hoje não esqueço.Comida é isso!
Volto ao Jogral,quando lembrar alguma passagem interessante.

ô Coroa boa, vai lá prá casa que tem vaga de patroa !

Eu, menino de 18 anos, fui trabalhar numa Casa de música chamada, simplesmente " O Jogral ", que tinha sido comprada, por um cara chamadso Marcus Pereira, publicitário e que bebia com muita intensidade. Isso lá por 1975,quando a Casa já tinha mudado da Rua Avanhadava para um travessa da Consolação, perto do Cemitério, Rua Maceió, prá ser mais exato. Prá ser Sincero aconexão da minha Osasco de Antonio Agú até ali, só Deus sabe. Uma negra linda, chamada Vera, meio irmã encontrada e adotada pela gente, no meio da vida, era babá do filhos do Marcus Pereira . E me deu de presente, pois sabia que eu gostava, uma coleção de discos desse publicitário, que era louco pela cultura brasileira. Muito amigo do Martinho da Vila, dividiua sociedade do Jogral, com Martinho e Aluisio Falcão, pernambucano doido por cultura. E o resultado só podia dar naquilo. Dessa incursão nasceu a Coleção do mapeamento mjusical brasileiro. Uma das pesquisas musicais mais sérias, que se tem notícias e esse material era distribuído como " souvenir " da Agência de Propaganda, que é donde ele vivia...
Isso gerou um acervo riquíssimo, que só Deus sabe onde está...
Numa noite de terça-feira, tomo meu ônibus no terminal das Vila Yara e desço na Paulista, conduzido pelo meu frequente 715-F - Lgo da Pólvora- V.S. Francisco. O Peito batendo masi forte que surdo de marcação. Quando entro, na Rua Maceió, 94, alguma coisa mudou de imediato. Aquilo era sonho. As lições que eu recebia na Casa da Dona Maria, uma comadre da minha mãe, que os filhos eram entendidos demais em música, agora era fichinha. Eu tava vendo muitos dos personagens da minha vitrola. Aquilo era sacanagem. Sentei na mesma mesa, que Martinho, Aluisio e Marcus e um primo meu. Tomamos um porre fenomenal e batizado, já fui convidado a trabalhar, lá.

ô Coroa boa, vai lá prá casa que tem vaga de patroa !




(na foto à esquerda, Carlos Cachaça e à direita Seo Babaú da mangueira)

Esse título tava batendo o tempo todo na minha cabeça, letra de um samba, me lembrei de Babaú da Mangueira, que veio aos mais de 60 anos morar em São Paulo e trabalhar no Jogral. Seo Babaú er auma figura... Todo cheio de atividade, quem o acompanhava era o grupo do Osvaldinho da Cuíca. Seu Babaú virou meu amigo e vira e mexe, eu o convidava para alguma festa, gente finíssima. Uma vez, eu o levei para um samba na Vila Formosa, na casa de uma tia postiça, que nós arrumamos, Tia Geni, hoje morando em Rondônia, por conta de uma desilusão. Esse samba era um caso à parte, começava na sexta à noite, e só terminava no domingo . Uma das negras, dona da casa, era cozinheira de um embaixador. Imagina as guloseimas. Tia Luzia era uma baita de uma negrona, coisa assim de quase um metro e oitenta e uns cento e tantos quilos, aos sessentão, solteira, viajava o mundo inteiro acompanhando os bacanas, morava na casa dos patrões. Gostava de uma cangibrina, pura. Quando tava bem brasil, a rapaziada cantava " A nega Luzia " e ela girava no salão, feito a Iansã, que era. Quando juntava a pretaiada era uma loucura, coisa de senzala. O batuque era magistral. E no outro dia de manhã era uma ressaca geral, com todo mundo dormindo onde dava. E rolava umas sopas, as melhores comidas. Cheguei com seu Babaú e ele já cresceu o olho nas minhas tias, e o samba rolou, as negas sambando, o homi ficou louco. E ele tinha composto um samba no hotel, cujo refrão era esse mesmo " ô Coroa boa, vai lá prá casa, que tem vaga de patroa " e na hora da canja, todo mundo esperando seu maior sucesso " O Vaso de Barro ", gravado por CarmenCosta, tirou esse da manga. Foi uma graça. Ele o tempo todo lançando olhares concupiscentes. Foi demais, prá eu levá-lo embora deu upa!
Seu Babaú, figuraça! Hoje pintou uma saudade. À benção babaú da Mangueira.

BAR DOCE BAR


Tive sim, como diria Cartola,um dia, um bar. Sonho maior de quem bebe, eu me achava o "bamba" o maioral. Eu havia mudado de lado no balcão. Era só alegria.O saldo final foi, que eu vivi duas emoções, uma quando comprei e outra quando vendi. Duas alegrias parelhas. Dele sobraram algumas dívidas, uma cara feia da muié, que me exomunga cada vez, que eu lembro. E diria, prá manter a linha musical, que " Foi um rio que passou em minha vida, e meu coração se deixou levar ..." laiá-laía-laiá-laiá

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Memórias da Minha Mãe!

Uma figura, que já a algum tempo devidamente instalada no céu, sem escalas, vira e mexe me volta à mente com suas estórias e mazelas:Minha mãe. Dona de uma graça, dona de muitas estórias e vou tentar reproduzi-las, como um médium sem talento.





MINHA MÃE E O VÍDEO K-7.


Nestes tempos de mepês oito, nove, dez. sei lá, eu me lembro das profecias de minha Vó Iaiá, que dizia que a gente ainda, ver coisa nesse mundo, que Deus ia duvidar...
E olha que minha “ Vó Nostradamus “, sabia o que falava...
Há alguns anos atrás; e lá se vão uns vinte cinco,trinta, pelo menos, a sensação era o tal de vídeo k7, modernidade das modernidades, que permitia assistir os filmes, escolhido em casa, e junto com elas surgiram as videolocadoras. Minha mãe, ainda viva, passeando na casa do setenta, morava com uma das minhas irmãs, que tinha nada menos que cinco filhos. Meu cunhado ganhou um desses, num consórcio. Era uma festa a reunião dos moleques na sala, assistindo os filmes de terror e ação. O fim de semana era pouco para aquele cinema doméstico, mas o momento mais esperado era o momento em que os meninos ficavam a sós, na sala, onde era o momento, de naquela explosão de hormônios, chapiscar uns pornôs. E quem é que diz que a minha setuagenária mãe, dava folga? Ficava na sala, até o limite. Às vezes, os meninos dormiam e só ela ficava. Era uma tortura. Um dia, alvíssaras, minha mãe , para alegria de arquibaldos e geraldinos, foi prá cama cedo. A molecada , mais que depressa sapecou um legítimo “ Ginger Lynn ”.E o “ quadro” era um exército de machos que “suspiravam” diante do vídeo, quando de repente, eis que surge, minha mãe, acordada ás duas da matina. Pânico na Zona Oeste. E um susto geral, corre e corre, e tira da tomada. E todos salvos. Ou quase... No outro dia, o relato “ipsis literis” da minha mãe à minha irmã:
- Minha fia, toma uma providência com essa televisão. Isso ontem tava uma putaria, era cada cacetão!

Meninos, eu vi!

Eu sempre estive perto dos fatos, que aconteciam nessa louca panela que é São Paulo. Quando apareceu aquelas loucuras de poesia colada nos postes, eu vi. Poesia marginal, eu também vi. Festivais de MPB, acompanhei alghuns pela tevê, outros mais tarde, assisti. O tal de Pelé eu também vi, tanto que virei santista. E explico: se " aquilo " era a expressão máxima dessa doideira que é o futebol, então prá quem torcer?
De lá prá cá, já vi alguns cometas, o homem já foi à lua, várias vezes. Robinho e Diego e Cia passaram muito rapidamente e sobrou prá nós, muitas lembranças e aquelas esperança brasileira de que hora dessas, ao glorioso alvinegro praiano, volte à ribalta.Que é duro,é. Houve um tempo, que havia tão poucos santistas, que a gente acabou fazendo amigos entre os assíduos dos jogos nos estádios. Prá ter uma idéia, eu mesmo, batizei uns três meninos ,filhos de outros santistas. De outros, eu sabia o número do RG.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Ronaldo no Corinthians, queque eu tenho com isso?

O espalhafato ( até a aljazira deu um tempo nas bombas!) causado pelo corinthians embaçou a vitória do hexa tricolor, só se fala no fenômeno. Eu, que sou santistas, finjo que o assunto não é comigo.Com uma inveja da porra!