quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Ô COROA BOA (...) PARTE II

Deixa eu fazer justiça... Na verdade o fundador do Jogral, foi o Carlos Paraná, que era um cara da noite, compositor e cheio de amigos músicos. Dentre eles, o mais constante era Adauto Santos, um negro mineiro que cantava demais. Carlos Paraná, foi o compositor de " Maria, Carnaval e Cinzas " que o " Rei " Roberto Carlos defendeu num festival da TV RECORD.

Eu vi performances maravilhosas do Adauto Santos e sua turma, geralmente composta, por ele Adauto, Viola e Violão, não lembro o contrabaixo,mas tinha o Papete ( um maranhense desencanado, que inventou a percussão ), Théo da Cuíca, percussão e Cuíca, nossa ! E faziam um som lindo, lindo! Tinha na casa ainda, Alaíde Costa, acompanhada do Miguel Trio, em que o baterista, Boi, era um barato ! engraçadissímo.Evandro do Bandolim, um alagoano, afilhado de Pixinguinha, que druante o dia trabalhava na Del Vechio da Rua Aurora,96. Seu time era inesquecível: Evandro no bandolin, Benedito Costa,no Cavaco, depois Dom Lúcio França, Pinheiro no 7 Cordas, de início, manézinho da flauta, depois Carlos Poyares, Zequinha do Pandeiro, às vezes um surdo, tocado por Silvio Modesto. Esse grupo abria a casa, depois acompanhavam uma cantora, muito interessante, Ana Maria Brandão. A circulação da casa era gigante, um monte de garçons, entre eles os que eu mais lembro são Expedito, o barman, Jovino, o Mâitre, Jaime, um português, que me dava carona e batemos de carro uma vez de madrugada e quase morremos ambos ( Bati na Trave!) , e Agostinho, um garçon que cantava imitando o Nelson Gonçalves. O sonoplasta era um caso à parte, Chiquinho da Mocidade Alegre, de dia estafeta do Tribunal de Justiça, à noite sonoplasta da Casa, aos fins de semana, diretor de harmonia da Mocidade Alegre.Viajou com Tereza Santos prá Europa. Osvaldinho da Cuíca, o Sargento, que se apresentava com um grupo, e tinha sido eleito Cidadão Samba de São Paulo. Também no cast tinha Bob di Melo, um pernambucano muito bom, mas doido até...
A música se sentia completamente , à vontade naquele espaço. E as visitas? Só gente boa. Uma
vez uma mesa de bacana, deixou uma veuve cliquot, quase cheia e no final os garçons, me chamaram pra experimentar.Ouvia falar tanto, mas confesso, que gosto mais de Cidra Cereser. Coisas de pobre. O tal de caviar também experimentei e não gostei. Não senti sequer o gosto aludido por Vadinho, em Dona Flor e seus dois maridos.Paciência. Em compensação, conheci a chuleta do Bar da Putas, que era nosso vizinho e até hoje não esqueço.Comida é isso!
Volto ao Jogral,quando lembrar alguma passagem interessante.

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