sábado, 27 de dezembro de 2008

A VILA YARA É MEU GREENWICH VILLAGE.


Assim como Woody Allen tem direito de sacar seus personagens da sua estória e de New York( o certo era noviorque), eu também quero, exigir meus direitos e falar da minha gente. Meus personagens nunca foram à tela, por falta de oportunidade, pois se baixasse um desses caras ricos, que fazem cinema, assunto a gente tinha. E quando se fala em Vila Yara, da minha Vila Yara, salve, salve, tem que falar de humor... Ô Vila prá ter nego gozador. Começa por um cunhado meu, Rená, se fosse bom, não começava com tal sílaba, mas o cara é rápido no gatilho, do nada sai uma piada. Nas rodas onde ele pára não tem tristeza. E não perdoa ninguém, sequer seu melhor amigo. Vítima predileta de suas sacanagens, o Marinho, nascido Mario Marcos, de vez em quando tira uma casca, mas o Rená, supressivo de Reinaldo, não alivia.
O Marinho é de uma família, que teve posses, quando a gente , toda nossa turma, era dura. Eu lembro do pai dele, andando de Galaxy, quando na vila não tinha quase ônibus. E ele sempre metido a galã, participou uma vez do " Boa Noite Cinderela " do Silvio Santos, para ser o príncipe. Uma competição com mais de cem concorrentes, sobraram dois, e o Marinho era um deles, o outro era Alexandre, aquele que ficou famoso, mas , segundo nosso candidato, por um esquema desses de televisão ( Esquema de televisão, prá mim, são aqueles desenhos de onde ficam as válvulas, prá guiar o técnico. Quem usou bombrill na antena, sabe do que falo!).Enfim, o representante da Vila Yara, ficara prá trás. E isso ele contava uns trinta anos depois, numa roda no Campo do Corinthinha, ao que meu cunhado não perdoa e saca:
- Marinho, quer dizer, então que você foi Vice-Príncipe?

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Outra figura maravilhosa é o Meningite, oriundo do Sto Antoninho, que é um bairro satélite da Vila Yara, uma espécie de primo pobre nosso. Vixi, a embaixada de lá, vai querer me matar...
Pois bem, avó do meningite era uma benzedeira reconhecida, jogava cartas e via o futuro.
Um dia se juntaram na casa da avó dele, Ito, Zé Galinha, Meningite e Côco e sem ter o que fazer resolveram jogar truco, na falta de um baralho pegaram o baralho benzido. E ficaram até a noite, tomando umas e jogando baralho. Por uma distração Zé Galinha ( ele nega posteriormente)
leva o baralho embora. No outro dia, os clientes da Velha chegando e nada de baralho, foi obrigada prá não perder a clientela, a ler mãos. No outro dia, o meningite puto, só resmungava:
- Isso não é brincadeira, porra, o Zé Galinha roubou o ganha-pão da minha !

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Chuép, Nelson Pedro Cunha, um dos personagens mais apaixonantes da Vila, dono de todas as estórias. Nos últimos trinta anos de vida, só respirou canabys, morreu como quem vai prá Santos. Faz falta a alegria dele.
Criador de frases, como uma para repor a humildade do time : Puleiro de Pato é no Chão. E o bom é que as frases dele, tinham precisão cirúrgica. Nunca jogou futebol, era muito ruim, mas se um desses olheiros, o visse no aquecimento era capaz dele ir parar no Japão. Mentia, tanto quanto respirava. Com a vantagem de que suas mentiras, eram na verdade devaneios, só diziam respeito a ele. Exceto, a vez que inventou que a mãe tinha morrido, e conseguiu uma comoção inesperada, de um de nós bem sucedido, Ismael José, sovina que só, que chegou até a comprar o caixão. Já que a veterana do Chuép era vizinha de sua mãe, mas o Chuép se enrolou todo e descobriram, que era mentira. Chuép, virtualmente, matara a mãe prá arrumar algum.
...

E a Vila anda... devagar os personagens da Vila irão invadindo o blog, que não faz mais do que a obrigação de mantê-los vivos.

Ps: tem um personagem, que é quase diretor de um grande banco, graças a Deus, pois tinha tudo para ser da pá virada.

Toda eleição a gente se junta perto do Brito, que é a Escola da nossa vida, para ver quem vem votar. E lembra daquelas gostosas da época e vai lembrando e tentando adaptar nossa memória à nova realidade, depois das 17h, quando já estava liberada a bebida , ele chega à conclusão, depois rever tantas amigas do passado :

" O tempo é uma fábrica de monstros ! " ( pano rápido )

Um comentário:

  1. O Nelson Pedro da Cunha, não iventou que sua própria mãe havia morrido!!!!
    Quem não sabe da história, não inventa.....
    Como pode falar de uma pessoa que não está aqui para se defender...
    Eu acho um absurdo!!!!
    Débora Cunha

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